terça-feira, 29 de junho de 2010

Há tempos

Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade.


Muitos temores nascem do cansaço e da solidão

E o descompasso e o desperdício herdeiros são

Agora da virtude que perdemos.



Há tempos tive um sonho, não me lembro

não me lembro...



Tua tristeza é tão exata

E hoje o dia é tão bonito

Já estamos acostumados

A não termos mais nem isso.



Os sonhos vêm e os sonhos vão

O resto é imperfeito.



Disseste que se tua voz tivesse força igual

À imensa dor que sentes

Teu grito acordaria

Não só a tua casa

Mas a vizinhança inteira.



E há tempos nem os santos têm ao certo

A medida da maldade

Há tempos são os jovens que adoecem

Há tempos o encanto está ausente

E há ferrugem nos sorrisos

E só o acaso estende os braços

A quem procura abrigo e proteção.



Meu amor, disciplina é liberdade

Compaixão é fortaleza

Ter bondade é ter coragem

Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário